Vai um setubalense?…

Tou?… Ó pessoal, já estou aqui a caminho do Alentejo para dar uma satisfação à minha mãezinha que é a única mulher como deve ser que bem me lembro que enquanto vivi com ela sempre me tirou as espinhas ao peixinho mas depois vou logo ter convosco, estejam descansados.

O que foi é que… vocês bem sabem que eu tenho andado com uma depressão, assim a modos como o Silva que se enforcou com o cinto lá na casa de banho, porque aquela mulher tirava-me do sério e este filho da puta aqui à minha frente não anda nem desanda, parece que vai a pisar ovos e não na estrada. Agora a gaja, eu bem lhe dizia como ela havia de fazer mas ela não senhor, tinha sempre de fazer à moda dela, tinha de ser tudo como ela queria. Ela nunca me obedecia em nadinha desta vida e olha, passei-me de todo e peguei na minha menina e zumba acertei-lhe mesmo em cheio no coração que caiu aí logo redonda no chão que pontaria é coisa que felizmente nunca me faltou.

Ah, o miúdo não, não viu nada que tive o cuidado de primeiro o fechar na casa de banho não fosse ele ainda atravessar-se no meio do caminho que a mãe fazia-lhe todas as vontadinhas e era tudo do bom e do melhor para o menino, mesmo que não houvesse para ela e para mim. As gajas são a pior coisa da vida dum homem e sobretudo quando têm o nariz empinado e julgam que mandam alguma coisa, que é como eu vos digo a única mulher que respeito é a minha santa mãezinha.

Oportunidade de paridade


A descomparticipação das pílulas anticoncepcionais não é uma mera medida economicista mas uma oportunidade de paridade que o governo promove.

As últimas três décadas têm-se caracterizado pela quase exclusiva responsabilização das mulheres no que concerne aos meios anticoncepcionais, muito graças à difusão da pílula hormonal, colocando fora do processo os homens que até o seu antigo reduto de comprarem preservativos na farmácia, com códigos apurados durante anos com os farmacêuticos, viram serem apropriados pelas mulheres que os compram com a maior das facilidades nos hipermercados sempre que há necessidade de uma protecção suplementar ou alternativa. A ser aplicada esta medida os homens voltarão à paridade com as mulheres recuperando o seu tradicional território dos preservativos e até o de serem donos dos seus próprios espermatozóides pela escolha da vasectomia.

Também não é despicienda a imagem transmitida para o exterior, para os mercados, do nosso país ser acolhedor para importação de preservativos ou até de DIU’s, esse método de saber milenar inspirado  nas práticas da tribos árabes nómadas no úteros das camelas.

Este é caminho para o verdadeiro o choque da paridade.

Homens-a-dias

Faço questão de ser uma pessoa educada e como tal vou a partir de hoje seguir as directrizes do Ministério da Educação, aplicando-as às relações que mantenha com homens. De facto para que hei-de estabelecer um contrato por tempo indeterminado com algum se posso experimentá-los por um mês e depois trocar?… Com a enorme vantagem de cada um vir fresquinho para as cambalhotas e certamente cheio de vontade de agradar para conseguir manter o lugar.

Aliás, os homens não deviam ser tão complicados e exigirem que lhe oiçamos os desabafos como ombro-amigo para carpir as mágoas e lhe batamos palminhas como as suas mamãs faziam quando os meninos encenavam uma gracinha qualquer já que é público que existem para exercerem a função coital, de preferência com uso de preliminares e técnicas adequadas à satisfação do par e, aí se resume o seu papel numa relação.

Raucher que me perdoe mas agora sim  posso ter um doce Outubro, um doce Novembro e por aí adiante, sem remorsos de perder coisa alguma e sem necessidade de ser ucranian

O sexo é um esforço filosófico. É uma questão que só não retomamos depois de morrer.

Falta de gente nas ruas

O hábito português de levar o carro para todo o lado e só não dormir connosco na mesma cama porque manifestamente não cabe está a criar dificuldades aos pares de simpáticas velhinhas das testemunhas de Jeová que não encontram pelas ruas ninguém a quem vender o seu produto.

Já na última campanha eleitoral procuraram misturar-se nas diversas arruadas, mas com alguma dificuldade em fazer-se ouvir tanto mais que os seu folhetos não são tão desejados como os beijinhos e os apertos de mão.

O cumprimento da missão em reuniões à moda da tupperware ou da bimby não foram bem acolhidos pela congregação que delineou antes como público-alvo, para a cidade de Lisboa, aquele que circula pela Luciano Cordeiro, Alameda Edgar Cardoso e Alameda Cardeal Cerejeira.

Música no Coração

O Senhor Doutor sabe melhor que eu que aos 18 anos as hormonas estão aos saltos e apaixonei-me então pela doce toada de um violoncelista, com ele a tanger o seu corpo contra o meu, a tocar cada poro da minha pele como uma corda vibrátil, num solo molto vivace de cama húmida do suor dos nossos corpos.
Ele era fã de música minimal repetitiva e adorava improvisar no seu violoncelo e vai daí que, em vez de me esfregar a toda hora e em qualquer lugar, como a nossa idade sugeria, levava-me para um estúdio arrendado à hora, com vários instrumentos e equipamento de gravação para o acompanhar ao piano nos seus solos quando eu só sabia tocar a escala e o toca o sino sacristão que são dois dó e quatro ré indefinidamente.
E nestes ensaios passaram-se meses Senhor Doutor, que eu até já tinha os dedos engelhados de tanto me contentar com eles e sonhava que uma clave de sol me penetrava mas se dissolvia no ar chilreando temas do Música no Coração que, com uma piscadela de olho e um dedo nos lábios da minha boca entreaberta lhe comuniquei que me ia que a minha especialidade são instrumentos de sopro e, percussão.

Alta tensão

Artigo 13.º

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Adenda: a São Rosas tem uma solução.